VILA FORMOSA


VILA FORMOSA

MPF acompanha exumações em busca dos restos mortais de Virgílio Gomes da Silva e Sergio Correia


Foto: Marcelo Oliveira - ASCOM MPF/SP

O cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, foi o primeiro a ser utilizado como destino dos militantes políticos mortos nos aparelhos da repressão. Os enterros eram feitos clandestinamente, sem comunicação aos familiares e, na grande maioria das vezes, com base em nomes falsos ou desconhecidos.

Esse cemitério, por ser público, tem suas sepulturas constantemente reutilizadas, e os restos mortais mais antigos acabaram sendo descartados e colocados em ossários ou destruídos, sem qualquer registro ou indicação que permita a rastreabilidade. Além disso, em 1975, ele foi totalmente reformulado. Ruas foram alargadas e árvores plantadas. Foi retirado o asfalto das ruas que demarcavam algumas quadras e feito um novo traçado, inclusive passando em cima de sepulturas antigas.

Não há notícias de exumações para que os novos traçados e alargamento de ruas fossem feitos, sendo que o mais provável é que as ruas tenham sido abertas com a violação das sepulturas pela passagem do maquinário pesado. O mesmo ocorreu com os corpos enterrados no local onde árvores foram plantadas.

Havia ainda uma vala ou ossário clandestino utilizado em meados da década de 70, o qual pode ter sido ocupado como destino das ossadas exumadas por ocasião das alterações acima mencionadas.

Considerando todos estes aspectos, entre 2010 e 2011, o Ministério Público Federal realizou, junto com a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República e a Prefeitura de São Paulo uma série de diligências no cemitério de Vila Formosa para tentar localizar os restos mortais de Virgílio Gomes da Silva e Sergio Correia.

Contudo, infelizmente, o resultado das buscas foi negativo.

Visando, portanto, a preservação da memória, em março de 2016, logrou-se a concretização, naquele lugar, do jardim “Pra não dizer que não falei das flores”, em homenagem às vítimas da repressão lá enterradas. Ademais, no ano seguinte, os cemitérios de Dom Bosco, Vila Formosa e de Campo Grande, todos em São Paulo, ganharam placas para que os cidadãos que por lá transitem se lembrem que nestes locais foram enterrados indignamente presos políticos assassinados pela repressão, a maioria ainda desaparecida.